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Itália suspende acordo de livre circulação com Espanha por crise migratória

Governo de Giorgia Meloni adotou medida após dezenas de milhares de imigrantes irem ao território espanhol de Ceuta

31/07/2026 às 21h46
Por: Redação
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Migrantes nadam até Ceuta, na Espanha, em travessia em massa da fronteira • ATLAS
Migrantes nadam até Ceuta, na Espanha, em travessia em massa da fronteira • ATLAS

Angelo Amante e Crispian Balmer, da Reuters

A Itália anunciou nesta sexta-feira (31) a suspensão por um mês das regras do Espaço Schengen, um acordo que permite a livre circulação de pessoas, com a Espanha. A ação é resposta à chegada em massa de imigrantes ao território espanhol de Ceuta, vindos do Marrocos.

O Espaço Schengen permite viagens sem necessidade de passaporte entre 29 países europeus, embora os Estados-membro possam reintroduzir temporariamente controles de fronteira por motivos de segurança ou ordem pública.

Embora a Itália não compartilhe fronteira terrestre com a Espanha, a medida afetará pessoas que se deslocam de avião ou barco entre os dois países, exigindo a apresentação de passaporte para a entrada.

O Ministério do Interior italiano informou, em comunicado, que também acordou com a França o reforço dos controles na fronteira terrestre entre os dois países, visando impedir a passagem de imigrantes sem documentação.

A polícia de fronteira realizará "verificações seletivas e direcionadas" em cidadãos de outros países que cheguem da Espanha, para confirmar se possuem a documentação necessária para viajar dentro da União Europeia.

Críticos do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni classificaram a medida como um gesto simbólico voltado ao público interno, apontando a ausência de evidências de que os imigrantes em Ceuta pretendam seguir para a Itália.

A decisão de suspender o acordo de Schengen ocorre após a Espanha anunciar que havia contido a onda de imigrantes em seu território no norte da África, sendo que a maioria das cerca de 50 mil pessoas que haviam cruzado a fronteira teria retornado voluntariamente.

A coalizão de Meloni, que assumiu o poder em 2022 com a promessa de reduzir a imigração ilegal, tem enfrentado forte pressão de um novo partido liderado pelo ex-general do Exército Roberto Vannacci, cuja retórica anti-imigração tem encontrado apoio entre alguns eleitores.

Com a questão migratória novamente em destaque no noticiário, o governo busca demonstrar firmeza na segurança das fronteiras. Opositores acusaram o governo de ceder a uma agenda populista.

"O problema é que se trata de uma proposta puramente demagógica, concebida — como de costume — para consumo interno e para competir com Vannacci, sem resolver absolutamente nada", afirmou Piero De Luca, parlamentar de destaque do Partido Democrático.

 

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