
Transmitida pelo Aedes aegypti, a dengue deve continuar causando uma alta de diagnósticos no Brasil este ano. Uma projeção baseada em modelos matemáticos estima cerca de 1,8 milhão de infecções ao longo da próxima temporada da doença, que segue até outubro de 2026.
A estimativa foi entregue ao Ministério da Saúde e mostra um cenário menos grave do que o registrado em 2024, quando o país atingiu um recorde histórico de casos. Ainda assim, o número previsto mantém o Brasil em um dos períodos mais críticos desde o início da série histórica, em 2000.
A estimativa vem do InfoDengue–Mosqlimate Challenge, iniciativa que reuniu 52 pesquisadores de 15 equipes ao redor do mundo para criar modelos de previsão da doença no país. As previsões foram unificadas em um único modelo pelo coordenador do projeto, Flávio Coelho, professor da Escola de Matemática Aplicada da FGV (EMAp).
Se os números se confirmarem, 2026 será o quinto ano consecutivo em que o país ultrapassa a marca de um milhão de diagnósticos. Além do aumento de casos, os últimos anos também ficaram marcados por um crescimento de mortes associadas à doença, com registros inéditos no período recente.
O Aedes aegypti é um mosquito que vive principalmente em áreas urbanas e costuma ficar muito próximo das pessoas. Ele se reproduz em águas paradas, como em vasos de plantas, garrafas abertas, ralos e caixas-d’água mal vedadas.
Por circular com facilidade dentro de casas e apartamentos, muitas vezes ele passa despercebido. A picada também não chama tanta atenção, porque o mosquito libera substâncias que diminuem a dor no momento em que se alimenta do sangue.
Por esse motivo, nem sempre o indivíduo sente coceira ou marca na pele, o que não significa ausência de risco. Mesmo sem sinais visíveis, o vírus pode ser transmitido da mesma forma.
“Na maioria das vezes, a picada não dói e pode nem coçar. Quando há coceira, isso depende da sensibilidade da pele de cada pessoa à saliva do mosquito, que provoca uma leve irritação no local”, explica a infectologista Melissa Falcão, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
A dengue é transmitida quando um mosquito Aedes aegypti infectado pica uma pessoa saudável. Durante a picada, o vírus presente na saliva do inseto entra na corrente sanguínea.
Não é necessário receber várias picadas para que a infecção aconteça. Uma única picada já pode transmitir o vírus, desde que o mosquito esteja contaminado e apto a passar a doença.
O Aedes aegypti prefere picar seres humanos, diferente de outros mosquitos que também se alimentam do sangue de animais. Essa escolha facilita a circulação do vírus entre as pessoas, principalmente em locais com casas que são muito próximas umas das outras.
No mesmo lugar, é comum que algumas pessoas sejam mais picadas do que outras. Isso acontece porque o mosquito percebe sinais que variam de indivíduo para indivíduo, como cheiro do corpo, suor, calor e a quantidade de gás carbônico liberada na respiração.
“Essas características funcionam como um sinal para o mosquito, que consegue identificar com mais facilidade quem está ao redor. Alterações hormonais e a temperatura corporal também influenciam essa escolha”, ressalta o infectologista Henrique Valle Lacerda, do Hospital Brasília, da Rede Américas.
A principal forma de prevenção é impedir que o mosquito se reproduza. Para isso, é importante eliminar qualquer água parada, como pratos de plantas, garrafas abertas, ralos sem proteção e caixas-d’água.
Além disso, usar repelente ajuda a reduzir o risco de picadas, especialmente durante o dia. Telas em portas e janelas também funcionam como barreiras.
A vacina disponível é a Qdenga, que protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue (1, 2, 3 e 4). Ela é uma vacina atenuada, ou seja, feita com o vírus enfraquecido: isso significa que ele não provoca a doença de forma grave, mas permite que o corpo aprenda a se defender. Na próxima semana, o Ministério da Saúde começará a testar, no Sistema Único de Saúde (SUS), o imunizante do Butantan, de apenas uma dose.
A imunização é uma das principais estratégias de prevenção. Mas, mesmo com a vacina, é importante eliminar água parada, usar repelente e proteger portas e janelas para reduzir a presença do mosquito.
Karol Oliveira
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