
O Flamengo voltou a perder para o Lanús, desta vez no Maracanã, e ficou com o vice-campeonato da Recopa Sul-Americana de 2026. A derrota em casa, diante de mais de 60 mil torcedores, escancara o momento turbulento que o time rubro-negro atravessa. Este, aliás, é o cenário de maior pressão que o técnico Filipe Luís enfrenta desde que iniciou a carreira como treinador, justamente no dia em que completou 100 jogos pelo clube.
Contra o time argentino, ficou nítida a falta de organização e repertório do Flamengo. Desde o início do jogo, é verdade, a equipe buscou com intensidade reverter o placar agregado após a derrota por 1 a 0 na primeira partida. Mas faltaram capricho e efetividade para transformar volume em resultado.
A falha de Rossi e Ayrton Lucas, que culminou no primeiro gol do Lanús no Maracanã, complicou ainda mais a situação do time brasileiro. Mais uma vez, o Flamengo encontrou dificuldades para reagir. Diante de um adversário tecnicamente inferior, faltou saber explorar os espaços e, principalmente, eficácia para furar a defesa argentina.
Antes mesmo do primeiro gol, já se sabia que o Lanús, por suas características e pela diferença de qualidade entre as equipes, atuaria fechado no campo de defesa, obrigando o Flamengo a recorrer constantemente aos cruzamentos. Isso ficou claro para os torcedores antes mesmo de a bola rolar. Ainda assim, Filipe Luís optou por iniciar a partida sem um camisa 9 de referência, como Pedro ou Bruno Henrique, que poderiam oferecer mais presença de área.
As escolhas para a partida chamaram atenção e repercutiram negativamente entre os torcedores. Ayrton Lucas, que começou como titular no lugar de Alex Sandro, falhou no lance do gol e ouviu vaias. Quem também não teve boa atuação foi Samuel Lino, mantido entre os titulares por Filipe Luís.
No Maracanã, a expectativa era de que o Flamengo voltasse do intervalo com mudanças significativas. No entanto, as alterações aconteceram apenas mais tarde. Ao apito final, vieram as vaias e os xingamentos. O principal alvo foi o técnico Filipe Luís, que deixou o gramado visivelmente abalado com a derrota.
Com mais um vice-campeonato e atuações abaixo do esperado, 2026 começa a lembrar 2023. Naquela temporada, mesmo após os títulos da Libertadores e da Copa do Brasil no ano anterior, o Flamengo mergulhou em um ano amargo, sem conquistas. Foi também o último ano de Filipe Luís como jogador. Agora, como treinador, ele revive um cenário semelhante e precisa encontrar soluções para evitar que a história se repita.
O Flamengo precisa recalcular a rota com urgência. Os ajustes precisam ser rápidos, já que a pressão no Ninho do Urubu só aumenta e o calendário não permite muito tempo para respirar. O início complicado no Campeonato Carioca e os vice-campeonatos na Supercopa Rei e na Recopa Sul-Americana tornam o ambiente ainda mais conturbado.
Na próxima segunda-feira, o Flamengo volta a campo para enfrentar o Madureira, pelo jogo de volta do Campeonato Carioca. A equipe tem a vantagem de 3 a 0 conquistada na partida de ida, mas entra pressionada e sob desconfiança da torcida.
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