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Relatório dos EUA acusa China de usar bases no Brasil para vigiar inimigos

Documento de comitê de deputados americanos cita duas instalações no território brasileiro, além de casos na Argentina, Venezuela, Bolívia e Chile; à CNN, envolvidos rejeitam alegações

06/03/2026 às 13h38
Por: Redação Fonte: CNN Brasil
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Léo Lopes, da CNN, em São Paulo

Um relatório divulgado recentemente por um comitê da Câmara dos EUA alega que a China estabeleceu uma rede de infraestrutura espacial em toda América Latina para vigilância de adversários e para potencialmente fortalecer suas capacidades militares no futuro.

O documento cita dois casos em território brasileiro, além de casos na Argentina, Venezuela, Bolívia e Chile.

Procurados pela CNN, os envolvidos rejeitam as alegações das autoridades americanas.

“China quer minar presença dos EUA no espaço”, diz deputado

O relatório “Atraindo a América Latina para a órbita da China” foi publicado pelo Comitê Seleto da Câmara dos Representantes dos EUA sobre Competição Estratégica entre os EUA e o Partido Comunista da China.

Segundo o site do Comitê, o órgão é composto por 23 deputados americanos – 13 do Partido Republicano e 10 do Partido Democrata.

“Grande parte da vida cotidiana americana depende de satélites nos céus acima de nós, e é por isso que as operações espaciais da China são motivo de séria preocupação. A China está investindo em operações espaciais na América Latina apenas para promover sua agenda e minar a presença dos Estados Unidos no espaço”, disse o presidente do comitê, deputado republicano John Moolenaar, em comunicado à imprensa.

“O presidente Trump agiu de forma decisiva para confrontar a influência maligna da China no Hemisfério Ocidental, e nossos aliados devem agir prontamente de acordo com as recomendações deste relatório e impedir a expansão da infraestrutura espacial chinesa”, acrescentou.

A investigação do comitê alegou que Pequim desenvolveu uma “extensa rede de estações terrestres espaciais e telescópios” de uso civil e militar na região. O objetivo seria coletar informações sobre adversários da China e aumentar a capacidade bélica do PLA (Exército de Libertação Popular) – principal força militar do país.

Relatório liga 11 instalações da América Latina à China

O relatório se baseou majoritariamente em informações de fontes abertas, ou seja, que estão publicamente disponíveis. O comitê afirmou ter encontrado “ao menos onze instalações espaciais” ligadas à China na América Latina.

“Essas instalações não são simplesmente projetos científicos isolados. Em vez disso, esses locais formam uma rede integrada de dupla utilização, fortalecendo a capacidade da China de monitorar, controlar e potencialmente interromper as operações espaciais e militares de adversários”, afirmou o relatório.



O documento alegou que as instalações na América Latina ligadas à China incluem “estações terrestres, radiotelescópios e Estações de Rastreamento a Laser de Satélites (SLR)”.

“Essas estações fazem parte da espinha dorsal da rede de sensoriamento remoto terrestre da China, pois têm a capacidade de reduzir atrasos de retransmissão, expandir o alcance e permitir o fluxo de dados em tempo real”, pontuou o comitê.

“Essa integração fornece à República Popular da China (RPC) um canal para observar e influenciar a doutrina espacial militar brasileira, ao mesmo tempo que estabelece uma presença permanente em uma região vital para a segurança nacional dos EUA”, afirma o relatório.

Em comunicado enviado à CNN, a FAB afirmou, por meio do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), que “houve, entre 2020 e 2022, um Memorando de Entendimento entre a Instituição e a empresa Alya Satélite e Produção de Fotografias Aéreas Ltda, com a intenção de firmar uma parceria para atividades de calibração radiométrica de sensores ópticos de imageamento”.

“No entanto, não houve acordo para renovação do memorando”, concluiu o comunicado.

Empresa brasileira nega parceria com a China e diz que terá controle exclusivo de estação

Procurada pela CNN, a fundadora e CEO da Alya Space, Aila Raquel, negou a alegação dos deputados americanos de que a estação seja uma joint venture com uma empresa chinesa.

“O que ocorreu foi apenas a assinatura de um Memorando de Entendimento (MOU), instrumento preliminar utilizado para avaliação de possíveis cooperações técnicas. Este MOU não evoluiu para contrato definitivo, não deu origem a joint venture nem operação comercial, e sua vigência já se encerrou”, pontuou em comunicado.

Ela acrescentou que a Estação Terrestre Tucano não possui atualmente nenhuma instalação física, está em fase final de licenciamento pela Anatel e só entrará em construção e operação “após a conclusão dos trabalhos de conformidade e fiscalização dos equipamentos que serão utilizados”.

“Após a finalização de todo o processo de licenciamento e construção, a estação estará sob controle e comando exclusivo da Alya Space, sem participação de qualquer outra empresa, e com todas as medidas de segurança cibernética adotadas em conformidade com as normas nacionais e internacionais aplicáveis ao seu uso”, disse.

A CNN entrou em contato com a Anatel, mas a agência afirmou que, no momento, não irá comentar o tema.

A CEO da Alya Space também explicou à CNN que a empresa está sediada em Salvador, atua no setor espacial e foi fundada no final de 2019 “dedicada ao desenvolvimento de soluções espaciais sustentáveis voltadas ao monitoramento ambiental, análise territorial e apoio à tomada de decisão estratégica por meio do uso responsável da tecnologia espacial”.

Ela pontuou que a empresa está desenvolvendo uma constelação de satélites e possui as licenças de operação para o lançamento de 216 satélites em órbita baixa da Terra. Os satélites, segundo a fundadora da empresa, serão destinados “à geração de imagens de alta resolução e dados analíticos aplicados a áreas como agricultura sustentável, resiliência climática, energia e gestão ambiental”.

No momento, as atividades da empresa estão em etapa de pesquisa e desenvolvimento, com operação comercial prevista para o ano que vem.

“As interpretações que associam a empresa a atividades secretas de vigilância estratégica ou aplicações militares não refletem sua atuação. A Alya Space opera sob princípios estritamente civis, comerciais e alinhados às legislações nacionais e internacionais aplicáveis”, destacou.

“A empresa permanece à disposição das autoridades, parceiros institucionais e da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais, reiterando que todas as suas atividades são conduzidas dentro dos marcos legais vigentes e orientadas ao desenvolvimento sustentável da economia espacial e ao benefício coletivo da humanidade”, concluiu.

Laboratório com universidades da Paraíba

O relatório americano citou outro caso brasileiro: Laboratório Conjunto China-Brasil para Radioastronomia e Tecnologia, na Serra do Urubu, no Sertão da Paraíba.

O comitê afirmou que o laboratório foi estabelecido em 2025 após assinatura de um acordo entre o CESTNCRI (Instituto de Pesquisa em Comunicação de Rede de Ciência e Tecnologia Elétrica da China) com a UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) e a UFPB (Universidade Federal da Paraíba).

“O laboratório se concentrará no desenvolvimento de tecnologia de ponta para apoiar a observação astronômica e a exploração do espaço profundo”, destacou o relatório. “Notavelmente, como o CESTNCRI está profundamente integrado à base industrial de Defesa da China, as aplicações tecnológicas mais amplas desses sistemas de observação do espaço profundo podem ter capacidades de uso duplo para inteligência militar, vigilância espacial situacional (SSA) e rastreamento de alvos não cooperativos”, acrescentou.

O comitê também pontua que o laboratório está relacionado ao projeto do radiotelescópio Bingo. “O BINGO é um esforço colaborativo que envolve instituições de pesquisa do Brasil, China, África do Sul, Reino Unido, Suíça e França. O telescópio está atualmente em construção em São Paulo e, após sua conclusão, será transportado para a Serra do Urubu, próximo à cidade de Aguiar, no Brasil”, disse o documento.

O relatório alega que a tecnologia do radiotelescópio poderia ser capaz “de interceptar, classificar e isolar pulsos de radar militar, telemetria de satélite e atividades de guerra eletrônica com extrema sensibilidade”.

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