
O Real Madrid recebeu o Manchester City no Santiago Bernabéu nesta quarta-feira (11) pelo jogo de ida das oitavas de final da Champions League e aplicou 3 a 0 nos ingleses, com um hat-trick de Federico Valverde ainda no primeiro tempo. O resultado coloca os merengues em vantagem na eliminatória, como também ilustra a diferença de momento entre as duas equipes em relação ao último encontro, há exatos três meses.
Em 10 de dezembro de 2025, as mesmas equipes se enfrentaram no Bernabéu pela fase de liga da Champions League. Na ocasião, o Real Madrid vivia um dos momentos mais conturbados da temporada. A equipe ainda era comandada por Xabi Alonso, que acumulava críticas pelo desempenho irregular. A crise interna era evidente, com atritos no vestiário e resultados instáveis. O Manchester City, mesmo em um ano de transição após a saída de alguns pilares, visitou Madri e venceu por 2 a 1, de virada.
Naquele jogo, o Real Madrid até saiu na frente com um gol de Rodrygo, que encerrou um jejum de nove meses sem marcar. Mas o City respondeu rapidamente com Nico O'Reilly e Haaland, de pênalti, para virar o placar. Os comandados de Pep Guardiola controlaram a partida, sofreram no fim, mas saíram com a vitória. O resultado escancarou as fragilidades defensivas e a falta de consistência ofensiva dos merengues.

Endrick reage a gol do Manchester City contra o Real Madrid (Foto: Thomas COEX / AFP)
O Real Madrid que entrou em campo nesta quarta-feira pouco lembrava aquele time acuado de dezembro. A troca de comando, com a efetivação de Álvaro Arbeloa, trouxe estabilidade emocional e uma nova dinâmica tática. O time, que antes oscilava, agora parece ter encontrado um eixo. E o símbolo dessa transformação tem nome: Federico Valverde.
O uruguaio assumiu protagonismo absoluto. Aos 11 minutos, abriu o placar após lançamento primoroso de Courtois. Dominou, ganhou na velocidade e tocou para o gol vazio. Aos 18, completou um hat-trick histórico: recebeu passe de Brahim após escanteio curto, deu um chapéu em Guéhi e finalizou rasteiro para marcar o terceiro. Entre um gol e outro, ainda balançou as redes aos 14 minutos, aproveitando sobra após jogada de Vini Jr.
O Real Madrid foi letal. Em 18 minutos, resolveu o confronto. Enquanto isso, o Manchester City, que em dezembro controlou o jogo e soube sofrer, parecia irreconhecível. A defesa, sólida no primeiro encontro, desmoronou diante da pressão inicial dos donos da casa. O meio-campo, antes dominante, foi atropelado pela intensidade dos volantes merengues. Haaland, que decidiu com um pênalti no último jogo, passou em branco e pouco incomodou.
A principal diferença entre os dois confrontos está na postura do Real Madrid. Em dezembro, a equipe esperou o City, tentou explorar contra-ataques e sucumbiu à pressão adversária. Agora, sob o comando de Arbeloa, os merengues impuseram seu ritmo desde o primeiro minuto. A pressão alta funcionou, e os erros de saída de bola dos ingleses foram fatais.
Outro fator determinante foi a utilização dos espaços. O City de Guardiola, acostumado a controlar as partidas com posse de bola, viu seu sistema ser desmontado por transições rápidas e objetivas. O Real Madrid não precisou ter a bola; precisou ser eficiente quando a teve. Os números do primeiro tempo são claros: chutes a gol, domínio territorial e aproveitamento das chances criadas.
O Manchester City, por sua vez, pagou caro pela falta de ritmo. Alguns de seus principais jogadores não atuavam há semanas, e a equipe sentiu a diferença física. Enquanto o Real Madrid corria e pressionava, os ingleses pareciam lentos e previsíveis.

Este foi o 16º encontro entre Real Madrid e Manchester City na história da Champions League, consolidando a rivalidade como uma das mais frequentes do torneio. São cinco vitórias para cada lado e cinco empates, num equilíbrio que só faz crescer a expectativa a cada novo capítulo.
Nos últimos anos, as equipes se enfrentaram em todas as fases: oitavas, quartas, semifinais, playoffs e agora novamente nas oitavas. O retrospecto recente em mata-matas leva vantagem para o Real Madrid, que se classificou em três oportunidades contra duas dos ingleses.
O jogo de volta será na próxima terça-feira (17), no Etihad Stadium, em Manchester. O City precisa de uma vitória por quatro gols de diferença para avançar no tempo normal. Uma vitória por três gols leva a decisão para a prorrogação. O Real Madrid, com a vantagem construída, pode perder por até dois gols de diferença que ainda garante vaga nas quartas.
Antes da decisão na Inglaterra, as equipes voltam a campo no sábado (14). O Real Madrid enfrenta o Elche, em casa, pela 28ª rodada de La Liga. O Manchester City joga contra o West Ham, também no sábado, pela Premier League.
Mín. 22° Máx. 34°