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Neurologista explica por que treinar pernas pode ajudar o cérebro

Treinar pernas ativa substâncias que protegem o cérebro, melhoram a memória e podem reduzir risco de doenças neurológicas

26/03/2026 às 13h50
Por: Redação Fonte: Metrópoles
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Angel Santana/ Getty Images
Angel Santana/ Getty Images

Muitas pessoas associam o treino de pernas apenas a benefícios estéticos ou de força física. Porém, pesquisas recentes mostram que trabalhar grandes grupos musculares pode ter um impacto direto na saúde do cérebro, influenciando a memória, o aprendizado e até a prevenção de doenças neurológicas.

De acordo com o neurocirurgião Mateus Tomaz Augusto, da Doctoralia, os músculos esqueléticos, especialmente os das pernas, funcionam como verdadeiros órgãos que produzem substâncias importantes para o organismo.

“Durante o exercício, os músculos liberam proteínas sinalizadoras chamadas miocinas. Elas conseguem atravessar a barreira hematoencefálica e exercer efeitos neuroprotetores no sistema nervoso central”, explica.
Além disso, a atividade física aumenta o débito cardíaco e melhora a circulação, ampliando a chegada de oxigênio e nutrientes ao cérebro.

Treinar pernas pode melhorar memória e aprendizado

Outro ponto importante é que exercícios que trabalham pernas ajudam a estimular substâncias relacionadas ao funcionamento cognitivo.

Uma das mais importantes é o BDNF (Brain-Derived Neurotrophic Factor), proteína essencial para a formação de novas conexões entre neurônios.

“O BDNF participa da neurogênese da criação de novas sinapses e da plasticidade do hipocampo, área fundamental para memória e aprendizado”, afirma Mateus.

O médico do esporte Páblius Braga, do Hospital Nove de Julho, acrescenta que as miocinas também desempenham um papel relevante nesse processo.

“Entre elas está a irisina, que tem efeito anti-inflamatório no tecido cerebral e ajuda no bom funcionamento dos neurônios”, explica.

Exercícios podem proteger contra doenças do cérebro

A ciência também aponta que manter força muscular, especialmente nas pernas, pode ajudar a proteger o cérebro ao longo do envelhecimento.

Estudos de longo prazo mostram que pessoas com maior força nos membros inferiores apresentam menores risco de declínio cognitivo e de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

Entre os mecanismos envolvidos, estão:

  • Aumento da produção de BDNF;
  • Redução de inflamação no organismo;
  • Melhora da sensibilidade à insulina no cérebro;
  • Redução do acúmulo de proteínas neurotóxicas.

Segundo Páblius Braga, uma revisão científica recente também reforça essa relação entre exercício e saúde cerebral.

“O treinamento físico melhora a liberação de miocinas e reduz a resistência à insulina no cérebro, fortalecendo a comunicação metabólica entre músculos e sistema nervoso central”, explica.

A circulação das pernas também influencia o cérebro

A musculatura das pernas desempenha ainda um papel importante na circulação sanguínea. Durante o exercício, esses músculos funcionam como uma espécie de “bomba venosa”, ajudando o sangue a retornar ao coração e, consequentemente, ao cérebro.

Esse processo melhora a oxigenação cerebral e favorece o funcionamento de áreas ligadas à memória, atenção e tomada de decisões.

Além disso, o exercício regular pode estimular a formação de novos vasos sanguíneos no cérebro, processo conhecido como angiogênese.

“Um cérebro bem vascularizado funciona melhor e tende a envelhecer com mais resiliência”, destaca o neurocirurgião.

Com que frequência treinar pernas para beneficiar o cérebro

Para obter benefícios neurológicos, especialistas recomendam incluir exercícios de força no treino semanal.

As diretrizes internacionais indicam:

  • De duas a três sessões semanais de treino de força;
  • Pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica por semana.

Páblius complementa que treinar pernas cerca de três vezes por semana já pode trazer benefícios importantes para a saúde muscular e cerebral.

Movimento do corpo também fortalece a mente

A relação entre músculos e cérebro tem sido cada vez mais explorada pela ciência. O que antes era visto apenas como um benefício físico do exercício, hoje é entendido como um mecanismo biológico importante para a saúde neurológica.

Treinar pernas, por envolver grandes grupos musculares, desencadeia uma série de processos no organismo, desde a liberação de miocinas até a melhora da circulação e da oxigenação cerebral. Esses fatores contribuem para fortalecer conexões entre neurônios, estimular áreas ligadas à memória e ajudar na proteção do cérebro ao longo do envelhecimento.

Por isso, especialistas destacam que a atividade física regular deve ser encarada como parte da estratégia de prevenção em saúde.

Em outras palavras, dedicar tempo ao treino de pernas não é apenas uma questão de condicionamento físico. Também pode ser uma forma eficaz de manter o cérebro ativo, saudável e mais resistente ao passar dos anos.

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