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Facção recrutou mais de 40 PMs para atuar como “aviãozinho do tráfico”

A organização é suspeita de enviar maconha e cocaína para o Amapá e outros estados, além de manter conexões internacionais

31/03/2026 às 10h57
Por: Redação Fonte: Metrópoles
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Material cedido ao Metrópoles
Material cedido ao Metrópoles

A Polícia Federal (PF) identificou um esquema de tráfico de drogas que pode envolver ao menos 40 policiais militares e guardas municipais no Pará.

A organização é suspeita de enviar maconha e cocaína para o Amapá e outros estados, além de manter conexões internacionais.

A investigação aponta como principal liderança o guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia (foto em destaque), considerado foragido.

Ele deixou a residência antes do cumprimento dos mandados, e a polícia apura se houve vazamento da operação.

Segundo os investigadores, Pedro movimentou cerca de R$ 40 milhões em contas bancárias ao longo de três anos e passou a ocupar posição de liderança na facção Família do Terror do Amapá (FTA).

Drogas em balsas

De acordo com a apuração, a droga saía do Pará com destino ao Amapá, principalmente por meio de balsas.

O entorpecente era escondido em sucatas e até dentro de eletrodomésticos, como airfryers, para tentar driblar a fiscalização.

A investigação também identificou o uso de familiares e terceiros como “laranjas” para lavar o dinheiro do tráfico. Um desses operadores chegou a movimentar cerca de R$ 5 milhões.

Policiais no esquema

Além da liderança do guarda municipal, o inquérito aponta a participação direta de policiais militares tanto no tráfico quanto na lavagem de dinheiro.

Segundo a PF, há indícios de que integrantes das forças de segurança chegavam a se apropriar de drogas de outras facções, como o Comando Vermelho, para revendê-las.

Durante a operação deflagrada nesta terça-feira (31/3), dois policiais militares, identificados como Fernando Henrique da Silva Albernaz e José das Graças Peres Monteiro, e um civil ligado à corporação foram presos.

Há ainda registros de participação de policiais em crimes graves, como sequestros.

Ligação com crimes violentos

O grupo também é investigado por envolvimento em ações violentas, incluindo um assalto a uma embarcação ocorrido em 2021, no Pará.

Na ocasião, segundo a apuração, Pedro chegou a aparecer fardado e conceder entrevista sobre o crime.

Um dos assaltantes, ao reconhecer a situação, enviou mensagem ao guarda, que teria respondido dizendo que conseguiu “burlar o sistema”.

Em outro caso, um homem que denunciou um investigado ligado ao grupo foi encontrado morto. A polícia apura a relação do crime com a organização.

Operação Abadon

A ação faz parte da Operação Abadon, que cumpre 118 mandados judiciais em seis estados: Amapá, Pará, Roraima, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo.

As investigações tiveram início em 2023, após a prisão de um faccionado do Amapá que estava no Pará, na casa de um policial militar.

A partir daí, a polícia identificou a estrutura do grupo, que utilizava contas de terceiros para movimentar dinheiro e ocultar a origem dos valores obtidos com o tráfico.

Apreensões

Em um dos endereços ligados ao líder do esquema, os agentes apreenderam uma BMW e cerca de R$ 30 mil em espécie.

Carro apreendido

A investigação segue em andamento para identificar todos os envolvidos e aprofundar o mapeamento da atuação da organização criminosa.

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