
A Japan Airlines (JAL) anunciou que começará em maio um projeto-piloto de 2 anos com robôs humanoides no aeroporto de Haneda, em Tóquio. A estreia será no manuseio de contêineres de carga, mas a companhia já tem planos de expandir o uso para limpeza de cabines e operação de equipamentos de pista.
Os robôs são desenvolvidos em território chinês em parceria com a GMO AI & Robotics. A iniciativa é uma resposta direta para a redução no interesse de japoneses em trabalhar para o setor. O Japão combina dois fatores que tornam o problema estrutural: uma população em envelhecimento acelerado, que reduz continuamente a força de trabalho disponível, e um boom de turismo estrangeiro que aumenta exponencialmente a demanda. Só nos dois primeiros meses de 2025, o país recebeu mais de 7 milhões de visitantes internacionais, disse uma análise da agência de viagens JTB Group.
O presidente da GMO AI & Robotics, Tomohiro Uchida, foi direto ao ponto: por mais que os aeroportos pareçam altamente automatizados para quem está do lado de fora, os bastidores ainda dependem intensamente de trabalho humano e a escassez de pessoal está se tornando insustentável.
A aposta da JAL nos robôs não é somente uma estratégia operacional. A empresa enquadra o projeto como uma melhoria nas condições de trabalho dos próprios funcionários: tirar das pessoas as tarefas mais pesadas e fisicamente desgastantes é, na visão da companhia, um benefício direto para quem ainda trabalha no setor. Yoshiteru Suzuki, presidente da JAL Ground Service, ressaltou esse aspecto ao comentar o projeto à agência Kyodo. Ele, entretanto, fez questão de deixar claro que certas funções, especialmente as ligadas à gestão de segurança, continuam sendo exclusividade humana.
Modelos de robôs em aeroportos não são exclusividade de Haneda. Outros produtos similares já operam em diferentes terminais do país para patrulha de segurança e atendimento no varejo. O que muda agora é a escala e o tipo de tarefa: entrar no trabalho físico pesado de solo é um passo mais ambicioso e, se der certo em Haneda, pode virar referência para outras companhias aéreas que enfrentam o mesmo problema em contratações.
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