
A fumaça do cigarro começa a provocar danos no corpo assim que entra pela boca e pelo nariz.Embora o pulmão seja a principal porta de entrada para os tóxicos, o risco não fica restrito ao sistema respiratório.
As substâncias tóxicas do tabaco atravessam barreiras do organismo, chegam ao sangue, circulam por diferentes órgãos e podem ser eliminadas pela urina, mantendo contato com tecidos como a parede da bexiga.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo tem relação com vários tipos de câncer e é responsável por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão. O órgão também aponta que o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo, sendo cerca de 1,2 milhão por exposição de não fumantes à fumaça.
No Brasil, o impacto também é alto. Dados do Inca indicam que 477 pessoas morrem por dia por causa do tabagismo. O custo anual dos danos provocados pelo cigarro no sistema de saúde e na economia chega a R$ 153,5 bilhões, incluindo R$ 67,2 bilhões em custos médicos diretos.
Quando uma pessoa traga um cigarro, a fumaça passa pela cavidade oral e nasal, garganta, laringe, traqueia e brônquios até chegar aos pulmões. No caminho, o contato com dentes, gengiva, língua, boca e garganta ajuda a explicar por que o tabagismo está ligado a tumores de cabeça e pescoço.
Helano Freitas, líder do Centro de Referência de Tumores de Pulmão e Tórax do A.C.Camargo Cancer Center, explica que a fumaça também pode ser deglutida. Na prática, parte dos compostos passa pelo esôfago, estômago e intestino, ampliando a exposição do aparelho digestivo.
“Literalmente, o corpo é inteiramente exposto, não é só o pulmão”, afirma o especialista.
Nos pulmões, parte das substâncias presentes na fumaça atravessa a barreira pulmonar e entra na corrente sanguínea. A partir daí, compostos tóxicos podem circular pelo corpo e alcançar órgãos como cérebro, coração, fígado, rins, pâncreas e bexiga.
A pneumologista Carolina Salim, da Clínica de Doenças Respiratórias Avançadas (CDRA), em São Paulo, explica que há mais de 60 componentes reconhecidamente cancerígenos no cigarro, entre eles metais pesados, hidrocarbonetos, solventes e formaldeído. Segundo a médica, as substâncias podem modificar o DNA das células.
De forma simples, o dano ao DNA pode fazer com que células passem a se multiplicar de maneira desordenada. Ao longo dos anos, o acúmulo de mutações aumenta o risco de formação de células pré-malignas e, depois, malignas.
A relação entre cigarro e câncer de bexiga costuma causar dúvida, já que a fumaça entra pelo sistema respiratório. A explicação está na circulação e na eliminação de substâncias pelo organismo.
Depois de inalados, os elementos tóxicos entram na corrente sanguínea, passam pelos rins e só serão eliminados pela urina. O tempo que as substâncias passam dentro da bexiga é suficiente para mudar o DNA das células do órgão, podendo desencadear o câncer.
O Inca lista a relação do tabagismo com câncer de pulmão, boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, rim, ureter, bexiga, colo do útero, cólon e reto, além de leucemia mieloide aguda.
Segundo Freitas, o risco aumenta porque a exposição ocorre de forma repetida, muitas vezes durante anos. “Fumantes que fumem pouco, mas durante muitos anos, estão expostos por mais tempo a compostos cancerígenos e ainda sob mais risco”, explica.
Além do câncer, o tabagismo está ligado adoenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral (AVC), enfisema, bronquite crônica, infecções respiratórias e outras complicações.
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