
A detenta de 24 anos que denunciou ter sido estuprada dentro de uma delegacia em Sorriso (a 398 km de Cuiabá), em Mato Grosso, detalhou os momentos de horror que afirma ter vivido enquanto estava sob custódia na unidade. Em entrevista concedida ao jornalista Roberto Cabrini, exibida no programa Domingo Espetacular de ontem (9), a jovem relatou a sequência de abusos sexuais que foram cometidos pelo investigador da Polícia Civil, Manoel Batista da Silva, de 52 anos, dentro da própria unidade policial.
A vítima afirmou que foi retirada da cela diversas vezes, sempre pelo mesmo policial e foi estuprada quatro vezes, todas enquanto estava algemada. Questionada sobre o motivo de não ter gritado, ela destacou que não teve qualquer possibilidade de pedir ajuda: “Não dava. Eu voltei muito perturbada pra dentro daquela cela. Não tinha o que fazer”.
Outras detentas que dividiam a cela com a vítima relataram ter percebido o estado emocional da jovem após as saídas com o policial. Segundo elas, a detenta sempre retornava chorando, abalada e visivelmente nervosa. Em uma das ocasiões, chamou atenção o fato de a vítima ter se lavado dentro da cela com água destinada ao consumo dos presos.
Ainda conforme os relatos, a jovem tentou esconder das demais detentas o que estava acontecendo. “Ela saiu da cela umas três vezes, sempre com o mesmo policial. Na última saída, a garota voltou e se lavou dentro da cela com água destinada para beber. Eu percebi que ela retornou muito nervosa. Estranhei o fato de ela ser retirada mais de uma vez”, afirmou uma das presas.
Inicialmente, o investigador acusado negou as acusações, mas exames periciais realizados pela Politec confirmaram a compatibilidade do DNA dele com o material genético coletado no corpo da vítima, reforçando a denúncia de violência sexual. Depois disso, quando confrontado, ele confessou o crime.
Após a confirmação, o policial, que atuava na Polícia Judiciária Civil (PJC) desde 2001 e recebia um salário de R$ 22 mil, teve a prisão preventiva decretada e mantida após audiência de custódia.
De acordo com a delegada Laísa Crisóstomo de Paula Leal, do Núcleo de Atendimento à Mulher, Adolescente e Criança de Sorriso, o policial acreditava que não seria identificado como autor do crime porque o exame foi realizado dias após os abusos. “Ele contava que, pelo lapso temporal entre o fato e a coleta do material, não seria possível constatar”, explicou.
A vítima, no entanto, afirmou que sempre teve certeza do resultado. “Eu já sabia que ia dar positivo, porque eu não fiz uma falsa denúncia”, disse.
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