
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, entregou uma lista de pontos inegociáveis do Irã a serem transmitidos aos Estados Unidos durante sua recente viagem ao Paquistão, informou a agência de notícias estatal iraniana Fars.
A agência afirmou que essa lista inclui "questões nucleares e o Estreito de Ormuz".
No entanto, acrescentou que a "troca de mensagens não está relacionada às negociações Irã-EUA" e que teve como objetivo "esclarecer" a situação regional e os itens inegociáveis do Irã. Nenhum outro detalhe foi fornecido.
Araghchi está atualmente em São Petersburgo, onde se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin.
O ministro iraniano se encontrou comimportantes mediadores no Paquistão e em Omã durante o fim de semana.
Logo após chegar à Rússia, ele disse à agência de notícias estatal iraniana IRNA que, no Paquistão, discutiram as condições sob as quais as negociações Irã-EUA podem ser retomadas.
O presidente americano Donald Trump defendeu no domingo (26) sua decisão de cancelar a viagem planejada de seus enviados ao Paquistão, dizendo que as autoridades iranianas "podem ligar" se quiserem conversar, reiterando que a guerra pode "chegar ao fim muito em breve".
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.900 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
O presidente americano Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.
Mín. 23° Máx. 35°