
Os Estados Unidos enviaram o porta-aviões USS George Washington ao Oriente Médio para substituir o USS Abraham Lincoln, que acumula mais de 240 dias seguidos em operação e teve a situação de sua tripulação questionada após relatos de problemas de abastecimento, encanamento e saúde mental.
A movimentação ocorre enquanto as forças americanas permanecem mobilizadas na região por causa da guerra contra o Irã. As informações são da Deutsche Welle e do Wall Street Journal.
O Abraham Lincoln deixou San Diego em 21 de novembro e chegou ao Oriente Médio em janeiro, antes do início do conflito com o Irã, em 28 de fevereiro. A previsão inicial era de que o navio retornasse aos Estados Unidos em maio, mas a missão foi prolongada.
O George Washington assumirá a posição do Lincoln como um dos dois porta-aviões americanos atualmente destacados para a região. A Marinha confirmou que a embarcação deixou Da Nang, no Vietnã, na semana passada. O navio, acompanhado por um cruzador e um destróier, foi posteriormente visto atravessando o Estreito de Singapura.
As condições no Abraham Lincoln passaram a ser questionadas publicamente em abril, quando surgiram informações sobre falta de alimentos. Na ocasião, a Marinha classificou os relatos como falsos. Posteriormente, novas denúncias apontaram dificuldades de abastecimento, problemas no sistema de encanamento e deterioração da saúde mental de integrantes da tripulação.
No início de agosto, um marinheiro caiu no mar e foi resgatado. Não foi informado se as autoridades investigam o episódio como uma possível tentativa de suicídio. A Marinha afirmou que não registrou aumento de pensamentos ou tentativas de suicídio a bordo, mas não divulgou números sob a justificativa de preservar informações médicas e operacionais.
O senador democrata Richard Blumenthal cobrou explicações sobre o caso e mencionou “relatos de falta de suprimentos, problemas de encanamento, piora de saúde mental e outros” problemas enfrentados pela tripulação.
A própria Marinha reconheceu dificuldades logísticas provocadas pela guerra. Segundo a instituição, as operações militares afetaram centros de abastecimento utilizados pelos Estados Unidos no Oriente Médio, causando interrupções no fornecimento de produtos e na entrega de correspondências. Alimentos passaram a ter prioridade, seguidos por itens de higiene.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou na quinta-feira (13), durante visita ao Panamá, que pretende concluir a substituição e permitir o retorno da tripulação do Lincoln o mais rapidamente possível.
Hegseth, porém, classificou como “deturpados” os relatos sobre a situação dos militares. O Pentágono sustenta que a rotação faz parte da necessidade de substituir tropas e equipamentos mantidos por longos períodos em operação.
A permanência prolongada de porta-aviões americanos no exterior já havia provocado questionamentos antes do caso do Abraham Lincoln. O USS Gerald R. Ford retornou aos Estados Unidos em maio após 11 meses de missão, período em que participou das operações contra o Irã e enfrentou um incêndio que exigiu reparos na embarcação.
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