
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendem que o pré-candidato à Presidência da República saia do imobilismo para reagir à crise imposta pela revelação de seus contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro. Nos bastidores, o núcleo duro bolsonarista sugere troca da equipe de comunicação, hoje comandada pelo marqueteiro Marcello Lopes, e o anúncio de integrantes de uma eventual equipe econômica de cunho liberal.
A ala mais próxima ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, queria emplacar Duda Lima na campanha de Flávio para deflagrar um freio de arrumação, mas o publicitário já indicou que não atuará diretamente nas eleições deste ano. Procurado, Marcello Lopes, um amigo pessoal do pré-candidato, não retornou aos contatos. Ele está nos Estados Unidos em agendas privadas.
Se a estratégia inicial era “jogar parado” durante a pré-campanha, apostando no derretimento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a conjuntura impôs uma mudança de rota. O coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RJ), por exemplo, afirmava em conversas reservadas que o plano de governo deveria ser adiado ao máximo, para que o País discutisse o governo Lula, e não um eventual governo Flávio. Agora, pílulas do documento devem ser divulgadas ao longo das próximas semanas.
Já a indicação de parte do time da economia seria uma forma de reciclar a tática adotada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, quando definiu o ex-ministro Paulo Guedes como seu “Posto Ipiranga” para atrair o apoio do mercado financeiro. Para a equipe de Flávio, os nomes cotados são Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia e ex-secretário de Política Econômica.
Nesta quarta-feira (20), Flávio está em um giro pela Faria Lima em busca de tranquilizar empresários e operadores do mercado financeiro, que veem a pré-candidatura mais forte do campo da direita ameaçada. O terremoto político se deu com a confirmação de que o filho “Zero Um” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu dinheiro ao dono do Master para bancar um filme em homenagem ao pai, e se encontrou com o banqueiro na casa dele mesmo após sua prisão.
Para “segurar” o apoio dos evangélicos, o senador ainda confirmou presença na Marcha para Jesus do Rio de Janeiro, seu reduto eleitoral, prevista para o próximo sábado (23). Em junho, ele estará na edição paulistana do encontro religioso. Nos bastidores, integrantes da campanha afirmam que as participações já eram previstas, mas reconhecem que ganham ainda mais importância com os recentes acontecimentos.
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